A postos para erguer a recuperação

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A construção civil passou pelo ano de 2017 ainda contabilizando as perdas provocadas pela crise econômica – mas, como outros setores produtivos, o segmento prevê um 2018 bem melhor. O Produto Interno Bruto (PIB) do setor deve cair 0,9% neste ano, mas para o próximo período a previsão é de um crescimento de 2% no País. Em Campinas, a expectativa é de retomada da contratação de novos empreendimentos, principalmente dentro do programa Minha Casa Minha Vida.

Balanço apresentado pelo Sindicato da Construção (SindusCon) mostra que, de 2014 até agora, foram perdidos mais de 1,1 milhão de postos de trabalho no setor no Brasil. Em Campinas, de acordo com a entidade, o número de trabalhadores no segmento caiu de 21.199 em dezembro de 2015 para 18.958 em outubro deste ano. O diretor regional do SindusCon, Marcio Benvenutti, afirmou que a regional de Campinas representa 11% dos empregos na construção entre as dez regionais da entidade no Estado de São Paulo, em que ocupa a terceira colocada. “A Regional tem 74.459 empregos formais na área da construção civil, quantidade praticamente igual que a de Sorocaba, que tem 75.588 empregos. Ficamos atrás também de São Paulo, que tem 288.028 empregados”, detalhou.

Ele comentou que neste ano fatores como o excesso de oferta no mercado imobiliário, as contratações do Minha Casa Minha Vida abaixo da meta, os efeitos da Operação Lava Jato sobre as grandes construtoras, a crise fiscal que resultou no corte de investimentos, o desemprego elevado e as restrições de crédito refletiram nos resultados do setor, que ainda não mostra uma recuperação.

Benvenutti salientou que o crédito habitacional também passa por um momento de redução. Segundo estudos do SindusCon com base em dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), no acumulado de janeiro a setembro houve um recuo de 3% nas contratações e de 11% no número de unidades financiadas em relação a igual período de 2016.

O diretor-regional do SindusCon afirmou que as perspectivas para o ano de 2018 são melhores do que o cenário de 2017 para a construção civil. Entretanto, ele alertou que a eleição é um fator que deverá influenciar nos resultados do segmento, principalmente se o governo não conseguir cumprir a meta de contratações de unidades no Minha Casa Minha Vida. Ele apontou que a previsão é de crescimento de 2,5% do PIB brasileiro e de 2% do da construção civil em 2018.

Ao analisar a conjuntura em Campinas, ele foi otimista. Segundo ele, as grandes construtoras estão voltando para o mercado local, interessadas principalmente em projetos do Minha Casa Minha Vida. “O mercado já está se mobilizando para novos empreendimentos. Há inclusive novos conceitos, como bairros planejados que já contarão com toda a infraestrutura. O objetivo é que os moradores tenham equipamentos como escolas e espaços de conveniência”, explicou.

Ele disse que Campinas aprovou recentemente um projeto de lei que vai permitir mais agilidade na aprovação de novos projetos e também garantir a implantação de empreendimentos em novos mercados onde antes era difícil a construção em decorrência do custo do terreno. “O novo projeto da Cohab (Companhia de Habitação Popular) vai permitir o aumento do índice de potencial construtivo e isso vai facilitar novos empreendimentos em várias áreas em Campinas”, disse.

O diretor-regional do SindusCon ressaltou ainda que o novo plano diretor é outro ponto positivo para garantir a segurança jurídica indispensável para atrair investidores, além de disciplinar o desenvolvimento da cidade. “O setor precisa de segurança jurídica no momento de decidir pela implantação de um empreendimento, e Campinas mostra que está preparada com leis que privilegiam o desenvolvimento sustentável”, salientou.



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