App facilita o descarte consciente

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Os catadores são responsáveis por quase 90% do lixo reciclado no Brasil, de acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Só que nem todo material é coletado no tempo certo, e o acúmulo de lixo nas calçadas que pode ir parar nos bueiros é apontado como um dos principais causadores das enchentes e da poluição de rios nas grandes cidades, como Campinas.

Como a crise das prefeituras em geral não permite grandes investimentos na limpeza urbana, é a tecnologia que apresenta uma saída inteligente e criativa para melhorar os índices de reciclagem no País. Um exemplo disso é o Cataki, um aplicativo para celular que conecta cidadãos comuns que querem descartar resíduos com os catadores que estão mais próximos do local da coleta. Funciona como o Tinder, famoso aplicativo de relacionamentos, só que em vez de dar o “match” entre casais, pode agilizar o tempo de coleta de lixo nos bairros e ainda gerar um dinheiro extra aos catadores.

O casal Rodolpho Oliveira, de 34 anos, e Alessandra Ferreira, de 37, trabalha com coleta de lixo em Campinas desde o ano passado e comemora a renda extra que o app tem proporcionado. “Abriu muitas portas. Quase todos os dias tem duas, três chamadas para nós, e ajuda a complementar nossa renda”, afirma Rodolpho. Eles coletam todo tipo de material e sempre levam a um depósito, onde separam o que vai ser reciclado ou reutilizado.

Alessandra conta que o aplicativo também tem contribuído para deixar a cidade, aos poucos, mais limpa. “Muita gente descarta sofá na esquina de casa por não ter como transportar, por ter um carro social. Com o aplicativo, é só nos chamar, que buscamos com nossa caminhonete e podemos revender ou ver o que fazer com o item”, explica.

Atualmente, os números do Cataki, lançado em 2017, ainda são tímidos. Em Campinas, são apenas 25 catadores cadastrados, como Rodolpho e Alessandra. No Brasil, o número sobe para 1.063 catadores online, presentes em 191 cidades. Apesar de ainda desconhecido do grande público, o aplicativo já recebeu prêmio importante em 2018: foi vencedor da categoria de inovação do fórum Netexplo, em Paris, dedicado a projetos de tecnologia com maior impacto social e nos negócios. E em março, o app também iniciará sua primeira operação internacional, em Cali, na Colômbia.

Coordenador do Cataki, Henrique Ruiz conta que a ideia do aplicativo tem sido bem aceita pela população e pelos catadores, e destaca o fato de o app não possuir fins lucrativos. “A gente não fica com nenhuma margem do catador. O aplicativo pode ser baixado gratuitamente e o usuário encontra um mapa com os catadores mais próximos, podendo solicitar o serviço de coleta diretamente com eles. É bom porque o catador ganha no volume de material, e nosso objetivo é valorizar essa profissão e estimular as pessoas a procurarem este trabalho”, diz.

Para incentivar o descarte de resíduos nos locais corretos, como as cooperativas, Ruiz pretende implementar novidades no aplicativo neste ano, como criar uma rede de descontos em estabelecimentos comerciais para os usuários que derem seus “matches” nos coletores de lixo. “Acredito que trabalhamos com dois conceitos fortes, que é envolver o meio ambiente e a inclusão social. Isso até impressionou os europeus na premiação ano passado, sendo que já estão acostumados com uma coleta muito boa. Aqui no Brasil, o atendimento de coleta das prefeituras ainda deixa lacunas”, afirma o coordenador do aplicativo.



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