Campanha privilegia pedestre na faixa

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Campinas estabeleceu como meta a redução em 34% da taxa de mortalidade por acidentes de trânsito na cidade até 2020 — o que significará sair das 6,3 mortes por 100 mil habitantes registradas no ano passado, a menor dos últimos 14 anos, para 4,2 nos próximos três anos. Se fosse um país, Campinas teria atualmente a oitava menor mortalidade no trânsito. Se chegar a taxa de 4,2, saltará para a quarta posição, atrás apenas da Suécia (2,8), Reino Unido (2,9) e Espanha (3,7).

Nos próximos dias, a Prefeitura assinará convênio com o Detran.SP, no valor de R$ 3,2 milhões (US$ 1,02 milhão), para desenvolver ações para a redução dos acidentes. Uma delas, informou o presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), Carlos José Barreiro, será uma campanha de conscientização para dar mais proteção aos grupos mais vulneráveis, como os pedestres. Em dois meses a campanha estará nas ruas, na Internet, nos meios de comunicação, em painéis, para incentivar uma convivência mais pacífica entre veículos e pedestres.

Os atropelamentos representaram 32,4% das mortes no trânsito no ano passado, quando 24 pessoas morreram atravessando as ruas — cinco delas (20% do total) foram provocados por ônibus. “Na maioria das vezes, os atropelamentos são fatais. Quando não matam, invalidam, deixam sequelas. Nos últimos três anos estamos desenvolvendo ações, como melhoria na sinalização, intervenções pontuais nos locais de maior incidência de atropelamentos. Nossa campanha vai buscar sensibilizar o pedestre para que não atravesse fora da faixa e os motoristas para que parem, quando o pedestre estiver atravessando”, afirmou Barreiro.

A maioria dos pedestres mortos em atropelamentos no ano passado tinha entre 72 e 77 anos. Nessa faixa etária morreram seis pessoas, seguida de outras cinco com idades entre 54 a 59 anos. Dos 24 mortos, 62,5% tinham acima de 54 anos.

Para o especialista em trânsito Eduardo Gonzales, ações educativas devem ocorrer, mas junto com elas devem vir medidas punitivas para quem não cumpre a legislação. “O Código de Trânsito Brasileiro prevê que os pedestres terão a prioridade de passagem na via quando estiverem realizando a travessia nas faixas delimitadas para esse fim e que, nos locais em que existir sinalização semafórica, tanto o condutor do veículo quanto o pedestre devem atender às luzes respectivas, para alternar o direito de passagem. “O motorista que não respeita o pedestre na faixa tem que ser multado. Além da educação no trânsito, também é preciso adotar medidas que doam também no bolso do infrator”, afirmou.

Barreiro disse que a fiscalização vai aumentar e as multas ocorrerão. “Estamos aumentando o número de agentes de trânsito nas ruas, realocando a fiscalização eletrônica (radares), e teremos o videomonitoramento também como instrumentos de fiscalização no trânsito”, afirmou. O videomonitoramento, que está em teste até o final do ano, está com câmeras instaladas em 15 cruzamentos para coibir infrações como estacionamento irregular, conversão proibida e uso de faixa exclusiva para ônibus e vai também monitorar pedestres que não atravessam na faixa e motoristas que não dão prioridade aos pedestres.

O secretário informou também que a Emdec vem usando pesada engenharia de tráfego para resolver gargalos no trânsito, redução da velocidade máxima em algumas vias, privilégio ao transporte público, ações educativas e fiscalização contínua, como o videomonitoramento, que está em fase de testes. “É um conjunto de ações que visam a redução da mortalidade no nosso trânsito”, afirmou.



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