Campinas cria plano contra maculosa

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A Prefeitura de Campinas instituiu ontem o Plano de Ação Municipal Intersetorial para Prevenção da Febre Maculosa Brasileira no Município. De acordo com o decreto publicado no Diário Oficial, o objetivo é promover medidas para reduzir o número de casos e mortes pela doença infecciosa. O texto destaca que desde 2000, Campinas é a cidade do Estado de São Paulo onde mais ocorreram casos de febre maculosa. Entre 2007 e 2018, foram registrados 86 casos e 38 óbitos, segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

O plano dá competências específicas a 11 secretarias (Comunicação; Cultura; Desenvolvimento Econômico, Social e Turismo; Educação; Esportes e Lazer; Habitação; Planejamento e Urbanismo; Recursos Humanos; Saúde; Serviços Públicos; Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), além da Defesa Civil, Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) e Serviços Técnicos Gerais de Campinas (Setec).

Com base em análise da cadeia epidemiológica da febre maculosa, o plano frisa que na região de Campinas e demais cidades do Interior, a doença é causa pela bactéria R. rickettsii, transmitida pela picada do carrapato Amblyomma sculptum infectado por esse micróbio. “Diversas espécies de mamíferos e até mesmo aves silvestres são comumente encontradas parasitadas por A. sculptum na natureza, no entanto, a manutenção efetiva desse carrapato numa determinada área depende da existência de pelo menos um de seus hospedeiros primários, que, na região de Campinas, são as capivaras e os equinos”, esclarece o texto.

A presença de capivaras está associada a altas infestações de carrapatos. Na região Sudeste do Brasil, as populações desses roedores têm particularmente aumentado em paisagens alteradas pelos seres humanos, as quais são adequadas à capivara e ao A. sculptum. Portanto, ambos podem ser abundantes próximos a locais que tenham corpos d’água e vegetação ciliar, como parques urbanos e periurbanos, jardins de condomínios e empresas e zona rural com cultivos agrícolas.

 

Vigilância e eventos

Por isso, um dos objetivos específicos do plano é criar fluxos entre as secretarias e entes municipais para a realização de eventos em parques e áreas públicas. Segundo o decreto, os pedidos para festividades, entre outros, devem ser feitos com três meses de antecedência junto à Coordenação da Vigilância de Agravos e Doenças, do Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde.

Em seguida, o Departamento de Parques e Jardins da Secretaria de Serviços Públicos e a coordenadoria responsável pela realização do evento, devem receber em até 30 dias, as orientações e recomendações de medidas de proteção e controle necessárias para minimizar os riscos. O decreto endossa ainda ações que já são realizadas. “A grama dos parques deve ser mantida roçada rente ao solo, assim como se deve realizar rotineiramente a remoção de folhas secas, o que auxilia no controle da infestação de carrapatos”, informa o documento.

São propostas também atividades educativas pertinentes ao tema durante os eventos. Outra preocupação apontada diz respeito à sinalização das áreas. “Os frequentadores dos parques com áreas infestadas por carrapatos devem ser alertados por placas permanentes”, estabelece o plano, requerendo também que esses avisos informem quais são os sintomas da doença e a necessidade de procurar atendimento médico logo que apareçam os primeiros indícios.

 

Castrar capivaras

No final de 2018, Ernesto Dimas Paulella, secretário de Serviços Públicos, informou que a Prefeitura planeja castrar as capivaras na Lagoa do Taquaral e no Lago do Café. O intuito é reduzir a população desses animais.



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