Campinas deve acolher refugiados

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A interiorização dos venezuelanos que chegam a Roraima deverá ser feita por meio de Campinas a partir de março. A informação é do major do Exército Eduardo Milanez, porta-voz da Operação Acolhida, que desde 2018 recepciona e apoia imigrantes em situação de vulnerabilidade social, decorrentes do fluxo migratório do país governado pelo ditador Nicolás Maduro, que sofre escassez de alimentos, medicamentos, hiperinflação e altos índices de violência.

Segundo Milanez, a força-tarefa humanitária planeja a instalação de um alojamento de redistribuição em Campinas. A princípio, a infraestrutura deve ser implantada em um hotel, atualmente desativado. Como a situação ainda não foi viabilizada, o major prefere não revelar a localização do imóvel. Campinas foi escolhida, de acordo com Milanez, devido a sua posição geográfica no Sudeste aliada aos modais de transporte — aéreos e rodoviários — ofertados, que irão facilitar o processo.

Milanez esclarece que essa modalidade de interiorização é chamada de hub. “A Força Aérea vai transportar os venezuelanos de Boa Vista (RR) para Campinas, e daí eles serão redirecionados para outras localidades”, disse, acrescentando que os imigrantes irão permanecer pouco tempo na cidade. “Eles já saem de Roraima com seu destino final definido”, afirmou. O major ressalta que a ação auxiliará na resolução do complicado cenário vivido pela população de Roraima. A falta de vagas nos 12 abrigos e no alojamento de passagem do Estado, que recebem cerca de 6,7 mil venezuelanos, tem obrigado muitos imigrantes a dormir nas ruas de Boa Vista.

Os venezuelanos residentes nos abrigos têm sido acolhidos com acomodações, três refeições diárias, banheiros, lavanderia, atendimento médico e segurança. A falta de vagas exige a intensificação e aprimoramento do processo de interiorização, que se transformou em uma demanda urgente. Até ontem, em torno de 4.250 imigrantes já tinham sido redirecionados para diversas cidades brasileiras. Lá são instalados, por exemplo, em entidades assistenciais.

Os principais destinos incluem São Paulo, Manaus, Esteio (RS) e Rio de Janeiro. Ontem, alguns venezuelanos foram levados para Porto Velho (RO). Para que o alojamento de redistribuição passe a funcionar em Campinas, falta principalmente o acerto de detalhes entre os governos federal, estadual e municipal. Apesar do planejamento já estar em curso por parte das Forças Armadas, a Prefeitura de Campinas informou, por meio da sua assessoria de imprensa, que ainda não foi contatada pela Casa Civil.

A concessionária administradora do Aeroporto Internacional de Viracopos informou, em nota, que o terminal tem toda a infraestrutura necessária à operação e está à disposição do Exército para prestar esse apoio de forma eficiente, ágil e segura. “Hoje, Viracopos possui um dos maiores hubs da América Latina, com 60 voos nacionais diretos”, diz trecho do texto.



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