Casa de Saúde terá um novo gestor

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Com 137 anos de existência, a Casa de Saúde de Campinas vai encerrar as suas atividades como gestão hospitalar e passará a ser administrada pelo Hospital Vera Cruz, que terá uma filial nas dependências da unidade médica a partir do dia 15 de maio, no formato de locação e cessão de uso por 30 anos. A Casa de Saúde, com isso, não atenderá mais os usuários que possuem planos de saúde vinculados à Unimed. A mudança na gestão não impacta na manutenção dos convênios das demais 16 operadoras. No entanto, essas operadoras representam apenas 5% do atendimento realizado na unidade, já que a Unimed é responsável por 95% dos pacientes que buscam o hospital.

A empresa não renovou o contrato com a unidade, e o Vera Cruz afirmou que também tentou negociação, mas que não teve sucesso. A Casa de Saúde atende hoje, em média, 10 mil pacientes por mês no pronto-socorro e realiza cerca de 600 cirurgias no período, segundo o advogado da Casa de Saúde, Márcio Carpena. A situação, contudo, é crítica, já que o local tem 170 leitos, mas está operando com apenas 82 unidades, por conta da crise financeira. São aproximadamente R$ 70 milhões (US$ 18,4 milhões) em dívidas, incluindo débitos fiscais e tributários, bancários e trabalhistas. O hospital também não vinha pagando, por exemplo, o Fundo de Garantia (FGTS) dos seus funcionários.

Em entrevista concedida ontem, o Vera Cruz se comprometeu a manter os salários em dia dos funcionários, enquanto os ativos da Casa de Saúde — que somam de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões (US$ 21,1 milhões a US$ 26,3 milhões) — serão alienados para solucionar as questões trabalhistas, entre outras dívidas, antigas. A nova gestão disse ainda que assume o espaço com o objetivo de evitar o impacto que o setor da saúde de Campinas poderia sofrer com o encerramento da Casa de Saúde. Carpena afirma que um dos fatores que levaram ao sucateamento do espaço foi a posição de domínio da Unimed que, segundo ele, supostamente permitiu que a operadora ditasse e desvirtuasse as regras a seu favor, levando o local ao sucateamento e ao risco de degradação do nome e reputação do hospital.

Em nota, a Unimed rebateu e informou que não pode ser responsabilizada pela administração da Casa de Saúde, e que fez antecipações de faturamento hospitalar e subsidiou atendimento pediátrico de Pronto-Socorro para ajudar o hospital. O não credenciamento junto ao Vera Cruz se deu, segundo a cooperativa, porque o hospital não reconhece uma dívida entre a Unimed Campinas e a Casa de Saúde. “A dívida deriva de recorrentes antecipações de faturamento hospitalar”.

 

Futuro

O presidente do Vera Cruz, Erickson Blun, adiantou ontem detalhes sobre os investimentos que serão injetados na Casa de Saúde. O hospital informou, entre outras coisas, que planeja acrescentar 30 operadoras de planos de saúde, além das que já atuam no seu hospital, totalizando assim quase 50 convênios dentro da Casa de Saúde.

O Vera Cruz confirmou ainda a implantação de um serviço especial de cuidado da saúde da mulher e da criança, no edifício inacabado vizinho que pertence ao hospital, abrangendo pediatria, ginecologia, cirurgia plástica, obstetrícia, UTI pediátrica e neonatal, entre outras coberturas.

Na parte social, o Vera Cruz informou que está se conveniando para fazer parte do Corujão da Saúde — um programa do Governo do Estado de São Paulo, que tem como objetivo sanar as filas de exames médicos do Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda não há um prazo para a adesão dessas novas operadoras.



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