Cnpem sedia a 2ª reunião dos Brics

Imprimir   |   Enviar por e-mail

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem) sediou, nos dias 1º e 2 de março, a segunda reunião do Grupo de Trabalho dos Brics (sigla que se refere a Brasil, Rússia, India e China, que se destacam no cenário mundial como países em desenvolvimento), responsável pelos megaprojetos científicos e infraestruturas de pesquisa (Research Infrastructure and Mega-Science projects). A primeira reunião do grupo havia ocorrido na Rússia durante os dias 15 e 17 de maio do ano passado.

O objetivo do encontro visou permitir a troca de informações a respeito das infraestruturas de pesquisa dos países membros e debater possibilidades de compartilhamento dessas instalações. A programação da reunião foi organizada em sessões técnicas: visitas às instalações dos laboratórios nacionais do Cnpem; apresentação dos grandes empreendimentos científicos dos cinco países e estratégias para ampliar o engajamento dos Brics em outros projetos científicos.

Um dos principais tópicos discutidos no encontro foi o Sirius, um acelerador de elétrons de última geração, usado na análise estrutural dos mais diversos materiais, aberta à comunidade de pesquisadores do Brasil e de todo o mundo. A nova fonte permitirá a realização de experimentos hoje impossíveis no País, abrindo novas perspectivas de pesquisa em áreas estratégicas como energia, biotecnologia, nanotecnologia, ciência dos materiais e ambientais. “Vamos trocar informações por meio de uma plataforma que está sendo desenvolvida ainda. Esse portal dará transparecia e levará mais conhecimento às comunidades”, explicou o diretor do Projeto Sirius, Antônio José Roque da Silva.

 

Sirius

O novo acelerador foi projetado pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais. Com cerca de 500m de circunferência, ele será a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil. Toda essa estrutura ficará abrigada dentro de um edifício de 68 mil metros quadrados, construído em uma área de 150 milímetros quadrados. As obras foram iniciadas em dezembro de 2014 e, até agora, cerca de 80% estão concluídas.

Atualmente, existe apenas uma fonte de luz síncrotron de quarta geração no mundo: amáquina sueca MAX IV, inaugurada há cerca de um ano. O projeto brasileiro inclui o prédio, as três estruturas aceleradoras (acelerador linear, booster e acelerador principal), 13 estações de pesquisa, além de toda mão de obra. A abertura da nova fonte de luz para pesquisadores está programada para 2019. Quando o Sirius estiver em atividade, substituindo a atual fonte usada no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, estima- se que uma pesquisa que atualmente é feita em dez horas nos equipamentos mais avançados do mundo poderá ser concluída em dez segundos.

Na agricultura, a tecnologia poderá ser usada para a produção, por exemplo, de fertilizantes mais eficientes e baratos e até menos poluentes. Já na saúde, o desenvolvimento de nanopartículas poderá ajudar no diagnóstico de câncer e no combate a vírus e bactérias. Até a produção de novos artigos industrializados como cosméticos podem ser feitos por meio da luz síncrotron. O prédio está entre as obras civis mais sofisticadas do Brasil, com exigências de estabilidade mecânica e térmica.



http://www.agemcamp.sp.gov.br/wp-content/plugins/wp-accessibility/toolbar/css/a11y-contrast.css