Tema africanidades pauta Unicamp

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A Unicamp lançou ontem, no auditório do Grupo Gestor de Benefícios Sociais (GGBS), o UnicampAfro, que consiste em uma programação mensal com diferentes atividades acadêmicas e culturais. A primeira ação desse projeto será o Novembro Negro na Unicamp. O objetivo é abordar a temática das Africanidades Brasileiras na universidade, em uma perspectiva multidisciplinar, destacando a sua influência na construção da identidade brasileira, com debates sobre o racismo institucional e a construção histórica das políticas de igualdade racial no País, tendo como horizonte o tensionamento da concepção etnocêntrica universalista.

O evento surgiu a partir da mobilização. “A chamada inicial veio do GGBS, que já estava pensando em uma programação específica para o mês de novembro. Em conversas com coletivos negros da Unicamp, sindicatos, todos disseram que tinham alguma proposta de evento. O nosso papel na comissão assessora é integrar a comunidade da Unicamp. A gente construiu a agenda, a pauta como sendo da universidade, institucional”, diz Débora Cristina Jeffrey, professora da Faculdade de Educação e presidente da Comissão Assessora da Diversidade Racial, que integra a diretoria executiva de direitos humanos.

Durante todos os dias do mês de novembro ocorrerão atividades relacionadas ao tema. “Acho extremamente importante pela força do coletivo. Estamos em um momento muito meritocrático e individualista, cada um correndo por si. A universidade mostra que está na contramão disso. Se abre para as cotas étnico-raciais, tem a chegada dos estudantes negros e indígenas e por assumir essa pauta de fato”, explica a professora.

Segundo o reitor, Marcelo Knobel, a intenção é sensibilizar a comunidade para o debate, já que a universidade tem mais mil alunos negros ingressantes. “Um tema que existe e que está espalhado na sociedade, que em geral, evita falar, e aqui tem realmente a discussão de frente, com pesquisadores, com pessoas que estudam o assunto, com coletivos que militam nessa área. É importante a gente ver uma programação variada, que tem aqui discussões acadêmicas, atividades artísticas, para conscientizar a sociedade e a comunidade nesse novo momento de virada da Unicamp”, afirma, apontando que o evento deve se tornar fixo.

Neri de Barros Almeida, diretora executiva de Direitos Humanos da universidade afirma que é um passo importante na inclusão. “O nosso mundo é muito exclusivo e quem não é alvo de exclusão não percebe. O que a nossa comunidade negra vai fazer, vai ter uma importância histórica muito grande”, define. O evento servirá como um laboratório para a programação do mês Indígena em abril de 2020.



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