Conselho decide hoje se Mogiana será patrimônio

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O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) decidirá hoje se tomba o Estádio da Mogiana como patrimônio de Campinas. O processo deveria ter sido votado em setembro pelos conselheiros, mas houve um pedido de vistas. A proposta de tombamento foi feita em 2013 por pesquisadores do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas e do Centro de Memória da Unicamp.
A eventual decisão de tornar patrimônio da cidade não impede a venda do imóvel, como quer o governo do Estado, mas cria uma dificuldade, uma vez que quem vier a adquirir terá que preservar aquele espaço.
Oficialmente chamado de Centro Recreativo e Esportivo de Campinas Doutor Horácio Antônio da Costa (Cerecamp), o prédio foi construído em 1940, com capacidade para 4 mil pessoas. O Mogiana já foi um dos principais estádios do País.
O projeto para a venda está parado na Assembleia Legislativa desde agosto, quando os vereadores Gustavo Petta (PCdoB), Carlão do PT e Fernando Mendes (Repub), que integram Comissão de Representação da Câmara e o deputado estadual Rafa Zimbaldi (PSB), conseguiram compromisso do líder de governo na Assembleia, Carlão Pignatari (PSDB), de que o projeto de venda não entrará na pauta de votação, até que uma alternativa seja encontrada para o local.
O movimento Salve o Mogiana conseguiu a adesão da maioria dos vereadores em pedido ao Condepacc para que tombe o estádio. Na página do movimento no Facebook, o prefeito Jonas Donizette (PSB) afirmou que está “atento à questão e acompanhando as discussões sobre esse importante patrimônio” e que, “diante da relevância do assunto e após minuciosos estudos, o Mogiana entrará na pauta do Condepacc no início de novembro”. A Prefeitura já manifestou disposição em assumir a gestão do Estádio da Mogiana, desde que receba o conjunto esportivo do Estado recuperado.
De acordo com o projeto que tramita na Assembleia Legislativa, o imóvel tem terreno com 26,5 mil metros quadrados e a área construída de 6,8 mil metros quadrados. A proposta da Prefeitura é que o Estado deixe fora da venda os 6,8 mil metros quadrados que compõem o Estádio da Mogiana. Quem adquirir os 19,7 mil metros quadrados restantes deverá recuperar o estádio como contrapartida à aprovação do futuro empreendimento que vier a se instalar na área.
Esses cálculos, segundo o deputado estadual Rafa Zimbaldi (PSB), estão errados. Uma análise da Secretaria de Governo, a pedido dele, mostrou que se a área do estádio for excluída, restarão apenas 4 mil metros quadrados para serem vendidos. Isso inviabilizaria a proposta da Prefeitura para que houvesse o desmembramento e o local do estádio ficasse fora da venda — assim, quem comprasse a área restante ficaria obrigado a recuperar o estádio como contrapartida à aprovação do futuro empreendimento que vier a se instalar no local.
No ano passado, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arquitetônico, Arqueológico e Turístico do Estado (Condephaat) tombou o estádio como patrimônio do Estado, incluindo o campo de futebol, a arquibancada central, a arquibancada sudoeste, a casa do administrador e a casa do motorista como patrimônio do Estado. A resolução do tombamento estadual, no entanto, ainda não foi publicada.


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