Explosivos abrem caminho para desvio do Jaguari

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Com uso de explosivo plástico, rochas no canteiro de obras da Barragem de Pedreira foram fragmentadas ontem, para permitir a escavação do canal de desvio do Rio Jaguari. A manobra é necessária para dar início à construção das fundações do maciço de concreto que abrigará o futuro reservatório. Para a operação, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) isolou um raio de 500 metros e bloqueou o tráfego de veículos por uma hora.
A escavação da área onde o reservatório será construído está em curso. A barragem ocupará uma área de vazão de drenagem de 930 quilômetros quadrados e terá 26 milhões de metros cúbicos de volume útil, permitindo, segundo o Daee, o aumento da vazão garantida, de 5,9 mil litros por segundo para 8,2 mil litros.
A barragem está sendo construída em aterro compactado e terá altura máxima de 50 metros. O conjunto prevê tomada de água seletiva, para a retirada de água da superfície do reservatório. Haverá também uma escada de transposição de peixes, e um vertedouro tipo escada de concreto, com capacidade de vazão de 1,54 metros cúbicos por segundo.
Os planos de segurança e de emergência da barragem, cobrados por vereadores, prefeito e moradores, ainda não têm prazo para serem apresentados à Defesa Civil e à população. Segundo o Daee, os planos preliminares estão concluídos e em fase de revisão, mas ainda não há uma data definida para a apresentação ao debate.
O enchimento da barragem, segundo estimativa do Daee, será concluído em julho de 2021. A construção integra projeto do governo do Estado para garantir reserva de água bruta para a região de Campinas. O investimento será de R$ 256 milhões, sendo R$ 231 milhões na construção da barragem e R$ 25 milhões na desapropriação da área do lago.
Outra barragem está prevista no Rio Camanducaia, em Amparo, mas não tem prazo de início previsto, porque o Daee ainda não conseguiu a outorga para o barramento por causa da qualidade da água, que tem alta concentração de fósforo. Para que a água possa ser utilizada, haverá necessidade de melhorar o tratamento de esgoto das cidades situadas ao longo do rio.
Em 2016, a Agência Nacional de Águas indeferiu o pedido de outorga preventiva com base em análise que mostram que o represamento do Rio Camanducaia geraria problemas de perda de qualidade da água, com a chamada eutrofização — desastre ambiental que pode ocorrer num lago ou reservatório pela concentração de nutrientes.
O enriquecimento com nutrientes, como fósforo, conduz a uma proliferação exagerada da flora aquática, mau cheiro, mortandade de peixes, mudança na biodiversidade aquática e contaminação da água por toxinas.


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