Toyota vai montar no Brasil primeiro modelo híbrido com motor flex

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A Toyota dará o primeiro passo na fabricação de carros eletrificados no Brasil. A montadora japonesa anunciou ontem ao presidente Michel Temer a produção de um veículo híbrido a partir do fim de 2019. Será não apenas o primeiro eletrificado em produção no Brasil como também o primeiro híbrido do mundo que poderá ser abastecido com etanol.

O plano da Toyota para começar a produzir híbridos no país foi antecipada pelo Valor em 14 de setembro. No dia anterior, a montadora formalizou a intenção de fazer um grande investimento no Brasil durante reunião, no Japão, com uma comitiva do governo brasileiro. Dias antes, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, e membros de sua equipe haviam comentado, em conversa com o Valor, que o governo esperava “um montante vultuoso” a ser aplicado na fábrica da montadora em Indaiatuba (SP) para “muito provavelmente” produzir modelos híbridos.

No anúncio de ontem, no Palácio do Planalto, a Toyota não informou qual modelo será produzido, nem tampouco o montante a ser investido e nem sequer em qual fábrica. A decisão foi tomada depois que o governo aliviou a carga tributária em carros híbridos e elétricos. Segundo um porta-voz da companhia, esses detalhes serão definidos nos próximos três meses. É, no entanto, natural que o projeto do híbrido faça parte do programa de investimentos de R$ 1 bilhão (US$ 243,9 milhões) na fábrica de Indaiatuba (SP), anunciado pela direção da empresa em 27 de setembro.

Em Indaiatuba é produzido o sedã Corolla. A outra fábrica de carros da Toyota, em Sorocaba, também no interior paulista, já produz dois modelos- o compacto Etios e o recém-lançado Yaris, um hatch médio. Já faz tempo que a Toyota demonstrava o interesse de produzir veículos híbridos no Brasil. A decisão foi tomada depois que o governo aliviou a carga tributária em carros híbridos e elétricos. Há dois anos, foi retirado o Imposto de Importação e recentemente a alíquota de IPI foi reduzida de 23% para níveis em torno de 7%.

O veículo em desenvolvimento será equipado com um motor elétrico e outro de tecnologia “flex”, que pode funcionar com gasolina, etanol ou a mistura de ambos. O projeto foi desenvolvido, segundo a empresa, com a participação de engenheiros da Toyota do Brasil em parceria com a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar e integrantes da área acadêmica da Universidade de São Paulo e a Universidade de Brasília.

A Toyota informou que seus estudos apontam que o híbrido flex possui um dos mais altos potenciais de compensação e reabsorção na emissão de CO2 gerado desde o início do ciclo de uso do etanol extraído da cana-de-açúcar, passando pela disponibilidade nas bombas de abastecimento e a queima no processo de combustão do carro. “Quando abastecidos apenas com etanol, os resultados se mostraram ainda mais promissores”, destacou a empresa por meio de nota.

Há oito meses, a Toyota tem feito, no Brasil, testes de rodagem com um protótipo híbrido flex construído sobre a plataforma de um modelo Prius, atualmente o único híbrido da marca vendido no país. Importado, o Prius custa R$ 125,4 mil (US$ 30,6 mil). Carros híbridos e puramente elétricos ainda são um nicho de mercado no Brasil. Durante o salão do automóvel, em novembro, foram anunciadas as pré-vendas dos modelos Bolt, da General Motors, Leaf, da Nissan e Zoe, da Renault. Os três modelos são 100% elétricos.



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