Instituições de pesquisa buscam parceria privada

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As instituições de pesquisas agrícolas do Estado apresentarão a empresários do agronegócio suas linhas de pesquisas inovadoras, com a perspectiva de ampliar a participação da iniciativa privada em seus projetos. A perspectiva é aumentar essa participação de 18% atuais para 25% no orçamento global dos cinco institutos em 2018.

Na avaliação do coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Orlando Melo de Castro, o aumento da participação privada será um salto importante na qualidade da pesquisa, e ganho inclusive para o pesquisador, que passou a ter participação no lucro dos produtos e serviços desenvolvidos.

O coordenador afirmou que a participação privada nas pesquisas vem crescendo nos últimos anos. Os institutos da Apta atraíram em 2010/2011, R$ 35 milhões (US$ 11,3 milhões) anuais em projetos de pesquisa privados, volume que saltou para R$ 53 milhões (US$ 17,1 milhões) em 2015 para cerca de R$ 60 milhões (US$ 19,4 milhões) no ano passado

Na próxima segunda-feira, em Campinas, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), Instituto Biológico (IB) e Instituto de Zootecnia (IZ) apresentarão aos empresários, em um workshop no auditório do IAC, oportunidades de novos negócios para as cadeias agrícolas no Estado de São Paulo. O evento está marcado para as 8h30.

Será o segundo workshop de aproximação do setor privado com os institutos, desde que foram criados, no ano passado, os Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) e um novo regramento de parceria. Por exemplo, a Apta definiu que 1/3 do direito auferido pela pesquisa cabe ao pesquisador. A patente do que for desenvolvido na parceria é do instituto de pesquisa e o direito de exploração é da empresa que financiou o projeto.

Essas soluções estão sendo possíveis por causa do novo Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação sancionado em janeiro e que, entre outras coisas, regulamentou as relações entre instituições públicas e privadas na área. A legislação anterior definia que a patente obtida por um projeto de pesquisa em instituição pública, mesmo que tivesse recursos privados, seria sempre pública.

Desde que foram reestruturados, em setembro, os NITs solicitaram quatro pedidos de patentes junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), firmaram parcerias com empresas privadas e apoiaram a elaboração de projetos na modalidade Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE-Fapesp). Os projetos contam com consultoria jurídica e apoio da Fundepag.

O primeiro workshop mostrou resultados. Uma parceria foi formada com o Instituto de Zootecnia para desenvolvimento de um produto, já com processo de registro, para controle de ectoparasitas, como carrapatos, mosca do chifre e mosca do berne.

Outra parceria é com o Centro de Citricultura, que registrou uma molécula usada para tratamento de infecções bacterianas das vias aéreas de humanos e que mostrou-se eficiente no controle de fitopatógenos dos citros, incluindo a Xylella fastidiosa. O ineditismo está no fato de o controle ser feito não com agrotóxicos, mas com princípio ativo de medicamentos.



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