Processo de verticalização em Campinas cresce 52,4%

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O processo de verticalização de Campinas cresceu 52,4% em oito anos. A cidade tinha 92.947 apartamentos e salas comerciais em edifícios em 2010 e agora tem 141.714, segundo dados deste mês, do cadastro da Prefeitura, que serve de base para o lançamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Os apartamentos representam 43,4% dos imóveis residenciais de Campinas. Nos últimos 12 meses, a verticalização cresceu 2,4%.

A tendência é de aceleração na verticalização da cidade nos próximos anos, com a nova lei de uso e ocupação do solo, aprovada no final de 2018. A nova legislação enxugou o número de zoneamentos na cidade e reduziu das 18 zonas antes existentes para oito e as mais de 18 mil atividades econômicas previstas na lei anterior passaram a ter apenas três classificações — baixa, média e alta incomodidade.

A nova lei incentiva o adensamento da cidade, especialmente ao longo dos corredores de transporte e em bairros com infraestrutura. O adensamento, conforme a legislação, será controlado pelo monitoramento da densificação, que indica os locais onde, em função da infraestrutura disponível, pode ocorrer uma maior concentração de pessoas e negócios.

Na Nova Campinas, por exemplo, o índice era de 1 e passou para 2, o que significa que antes era possível ter no terreno um imóvel com área construída igual a uma vez a área do terreno e passou a ser permitida construção de duas vezes a área do terreno. Mas nesse bairro há um limitador de altura. No Cambuí, onde os coeficientes eram 2 e 3, dependendo da região do bairro, passou para 4. Na Avenida Norte-Sul o coeficiente de aproveitamento passou para 4. O bairro São Bernardo, também. Ao longo dos corredores de ônibus, dentro de uma faixa de 300 metros a partir da via, o coeficiente passou a ser 2 ou 4. Isso significa autorização para construir o equivalente a duas ou quatro vezes a área do terreno, dependendo da região.

 

Melhor aproveitamento

Para o urbanista Ricardo Macedo, medidas para o adensamento das cidades são importantes porque permitem maior aproveitamento da infraestrutura instalada. “As cidades, ao longo dos anos, foram se espraiando, encarecendo o custo de instalação da infraestrutura. Bairros distantes foram instalados, deixando no meio vazios urbanos à espera de valorização, o que acarretou uma periferia desprovida de serviços”, afirmou.

Ele observa que a verticalização permite utilizar a mesma infraestrutura para atender um número maior de pessoas, o que aumenta a eficiência dos serviços, como rede de água, esgoto e coleta de lixo. “A verticalização pode ter pontos negativos se não tiver densidade populacional. Não adianta um prédio de 15 andares, com um apartamento por andar e dois habitantes em cada um. Isso não adensa a cidade. Se o prédio tiver quatro apartamentos por andar a situação já melhora”, disse.

A verticalização de Campinas será incentivada, com a alteração dos índices construtivos, na chamada Macrozona de Estruturação Urbana. Nessa área estão as regiões mais bem estruturadas e inclui integralmente o perímetro urbano de Campinas. Nessas áreas estruturadas e ao longo da rede estrutural de transporte público, os índices construtivos foram aumentados, permitindo assim o adensamento populacional, com o aproveitamento da infraestrutura existente.

A macrozona possui áreas reconhecidamente consolidadas e outras em fase de consolidação, como é o caso da Vila Costa e Silva, Jardim Primavera, Parque São Quirino, Centro, Jardim Nossa Senhora Auxiliadora, Real Parque, Guará, Proença, São Bernardo e Taquaral.



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