Receita da Samsung chega a US$ 6,1 bilhões no Brasil

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Em um ano de economia cambaleante, com incertezas no horizonte político, a Samsung apresentou um crescimento de mais de 15% em sua receita no Brasil em 2018. Com base no balanço anual publicado pela companhia na Coreia do Sul, as vendas da Samsung Eletrônica da Amazônia chegaram a R$ 23,2 bilhões (US$ 6,1 bilhões), segundo cálculos do Valor Data. Em dólares, o valor permaneceu estável na comparação com 2017, totalizando US$ 6,3 bilhões. O desempenho no ano passado foi impulsionado pelo crescimento na venda de modelos mais caros de smartphones e de TVs – reflexo da Copa do Mundo da Rússia.

A série histórica do desempenho da companhia no Brasil, pesquisada por este jornal, mostra que desde o começo da década a operação da Samsung cresceu mais de três vezes no país, passando de R$ 6,6 bilhões (US$ 1,7 bilhão) para os atuais R$ 23,2 bilhões (US$ 6,1 bilhões). Procurada, a Samsung não comentou os números. A empresa tem fábricas em Manaus e em Campinas, para produzir TVs e celulares. E importa outros produtos como geladeiras e lavadoras de roupa. O avanço da receita coincide com o ganho de relevância da companhia no mercado brasileiro de smartphones.

A estimativa é que praticamente metade dos aparelhos vendidos no varejo brasileiro seja da Samsung. Os campeões de venda em volume são os modelos da linha J, que tem preços entre R$ 600 e R$ 1,2 mil (US$ 157,9 e US$ 315,8). Tendo como um de seus principais parceiros o Magazine Luiza, a Samsung também se beneficiou do crescimento acelerado desta varejista nos últimos anos. A operação da Samsung no Brasil é lucrativa. No ano passado, quando a receita foi de R$ 23,2 bilhões (US$ 6,1 bilhões), o lucro foi de R$ 2,6 bilhões (US$ 684,2 milhões). Este resultado apresenta uma queda considerável, de 36,6%, em relação a 2017, quando o lucro ficou em R$ 4,1 bilhões (US$ 1,1 bilhão). Em dólares, a retração foi ainda maior, de 46%, para US$ 700 milhões – montante condizente com o desempenho da operação nos últimos anos.

O recuo no lucro é explicado, em parte, à base de comparação mais alta de 2017, ano em que a fabricante ampliou sua fatia no mercado de televisores e conseguiu vender um volume maior de aparelhos mais caros. Também teve ganhos importantes com operações financeiras. A estratégia da Samsung no Brasil continua ancorada em TV e celular. Hoje a empresa fez um evento em sua sede em São Paulo para apresentar a linha de smartphones S10 no país.

Os modelos, anunciados globalmente no fim de fevereiro, marcam o décimo ano de lançamento dessa linha, que tem aparelhos mais caros e opções intermediárias. A família S10, geralmente composta por dois modelos (neste ano o S10 e o S10+), ganhou um novo integrante, com preço um pouco mais acessível, o S10e. Os aparelhos entraram em pré-venda hoje e chegarão às lojas em 4 de abril com seis combinações de memória e espaço para guardar arquivos e preços entre R$ 4.299,00 e R$ 8.999,00 (US$ 1.131,3 e US$ 2.368,2). No ano passado, no lançamento da linha S9, os preços variavam entre R$ 4.299,00 e R$ 4.899,00 (US$ 1.131,3 e US$ 1.289,2).

“Fazemos várias pesquisas com consumidores e percebemos que há demanda [por aparelhos mais caros]. Esse é um mercado que ainda tem pouca penetração no país”, disse André Vargas, gerente de produtos da companhia. De acordo com o executivo, a Samsung tem investido para ampliar o acesso dos consumidores a programas de desconto na compra de um aparelho novo usando um modelo antigo como parte do pagamento (o chamado trade-in). A modalidade está disponível nas lojas próprias da marca, nas operadoras e no varejo e é usada em metade das compras de seus aparelhos mais caros.

Perguntado sobre o lançamento no país do smartphone dobrável, o Galaxy Fold, Varga disse que o assunto está sendo avaliado, mas que ainda não há uma previsão. Apresentado junto com a linha S10, em fevereiro, em Nova York, o Fold chegará às lojas dos EUA no fim de abril custando US$ 2 mil. Para o Brasil, a expectativa é que o valor fique na faixa de R$ 15 mil (US$ 3,9 mil). Na avaliação de um executivo do setor que preferiu não ter seu nome divulgado, mesmo com um valor tão elevado a fabricante precisa trazer o modelo para o país para se manter condizente com o discurso de importância do Brasil em sua estratégia. “Não é uma questão de volume de vendas, mas de posicionamento de marca”, disse.

O Brasil responde por 3% das vendas globais da Samsung, se forem consideradas as duas receitas do ano passado em won, a moeda coreana. Em dólares americanos, a receita global da companhia chegou a US$ 221,6 bilhões no ano passado. A concorrência no mercado de smartphones – hoje bastante concentrada na disputa entre Samsung e Motorola – promete se acirrar nos próximos com a volta das chinesas Huawei e Xiaomi ao país.



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