RMC vê explosão da comida vegana

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A atividade gastronômica voltada para o público vegano está cada vez mais em alta quando o assunto é alimentação fora de casa. De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), o número de restaurantes veganos em funcionamento na Região Metropolitana de Campinas (RMC) cresceu 475% entre os anos de 2018 e 2019, saltando de 8 para 38 estabelecimentos no período.
Na avaliação da entidade, o aumento está diretamente relacionado a maior conscientização das pessoas com relação ao estilo de vida vegano. “Nos últimos anos, o veganismo passou a ter uma divulgação muito maior do que tinha em outras décadas e muitas pessoas procuram entender e abraçar a causa”, explica o economista da Acic, Laerte Martins. “O mercado também começou a enxergar nessas pessoas um público-alvo interessante a ser explorado”, ressaltou.
Em Campinas, estabelecimentos como a “Conveniência Vegana” e o “COMO? Espaço Educador Vegano”, localizados na Avenida Alberto Sarmento, no Centro; e na Rua José Martins, no Distrito de Barão Geraldo, respectivamente, são apenas dois exemplos de comércios que servem alimentos veganos na cidade. O primeiro conta com refeições e venda produtos. No local, há diversas prateleiras onde é possível encontrar objetos que não utilizam fórmula animal em sua composição, como itens de limpeza e cosméticos. Já o segundo, serve tanto comida à la carte quanto self service.
Karen Arroyos, dona do Conveniência Vegana: onda vegana ganhou força nos últimos anos em toda a região
A proprietária da Conveniência Vegana, Karen Arroyo, explica que optou por servir pratos à la carte com objetivo de incentivar seus clientes a levarem parentes e amigos para almoçar. “O vegano tem uma grande dificuldade para convencer outras pessoas a comer em um restaurante vegano. Mas, se a comida servida for parecida com a de um restaurante convencional, fica mais fácil de incentivá-los a experimentar”, comentou.
Comandada por Maria Castellano, o COMO? Espaço Educador Vegano nasceu com o objetivo de ser um local voltado para eventos culturais e venda de lanches veganos. Porém, com o tempo, a demanda para que o espaço passasse a servir almoço começou a ficar grande por parte dos clientes. Hoje, a casa conta com um cardápio diversificado, que atrai pessoas de todas as idades. “Quando eu abri o restaurante, ele ficava em um outro lugar, que era mais apertadinho. No início de 2016, mudamos para esse espaço e começamos a servir refeições no horário do almoço”, explicou Maria.
De acordo com ela, o veganismo tem conquistado aos poucos a aceitação das pessoas na sociedade, ao ponto de, na sua visão, haver menos questionamentos acerca do tema. “Ainda tem preconceito, mas bem menos do que antes, porque as pessoas estão vendo que isso não é um bicho de sete cabeças”, comentou. “Hoje, vários restaurantes que não são veganos estão procurando incluir em seus cardápios opções veganas, porque perceberam que, com o crescimento desse estilo de vida, é preciso se adequar a essa realidade”.
Dieta
Brócolis, couve e grãos. Os ingredientes combinados não parecem fazer parte da dieta de quem quer ganhar músculos, mas são apenas algumas das fontes de proteína consumidas pelo professor de educação física Gustavo Trevisan Costa, que ganhou mais de 12kg de massa muscular sendo vegano nos últimos três anos.
Segundo o professor, é possível virar atleta sem consumir suplementação derivada de animais. “Eu entendo esse pensamento porque isso está enraizado na nossa cultura, mas para ter energia e proteína não necessariamente precisa comer carne e ovo. Quem é vegano, por exemplo, consegue obter todos os nutrientes se tiver uma dieta bem planejada”.
Costa decidiu virar vegano por causa de um amigo que era atleta. Ele conta que sempre foi uma pessoa curiosa e que o exemplo do amigo o fez querer saber mais sobre o estilo de vida. ““Eu busquei ler e assistir alguns documentários científicos para saber um pouco mais sobre o veganismo e fiquei bem comovido. O que mais me tocou foi questão da compaixão pelo sofrimento dos animais”, explicou.
Após esse choque de realidade, ele decidiu ir atrás de uma nutricionista especializada em esporte e veganismo para adequar a alimentação. “Assim que ela me mandou a dieta eu já comecei a aplicar”, disse o professor.
Vegetarianos
O número de restaurantes vegetarianos também cresceu na RMC, apesar de um ritmo menor. Saiu de 32 em 2018 para 57 agora – 44% a mais.
SAIBA MAIS
Os veganos não consomem qualquer tipo de produto de origem animal ou que envolva animais em sua produção. Além de não comerem carne, leite, ovos ou mel, também não consomem cosméticos e produtos de limpeza que tenham compostos de origem animal ou que sejam testados em animais.
Os veganos não utilizam roupas de origem animal, como lã, seda ou couro, e não frequentam locais como circos, zoológicos ou parques em que animais são usados como forma de lazer ou diversão. Basicamente, os veganos rejeitam tudo que envolve exploração e sofrimento animal.


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