Sirius deverá ter recursos da Lava Jato

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Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) financiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a construção do acelerador de partículas Sirius, em Campinas, estão na lista de possíveis beneficiados pelos recursos recuperados da Petrobras a partir na Operação Lava Jato. Em reunião realizada anteontem, no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, foram estabelecidos termos que dispõem R$ 250 milhões (US$ 61 milhões), de um total de R$ 2,6 bilhões / US$ 634,1 milhões (em valores atualizados), em favor do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O montante deve ser empenhado, segundo o acordo, para ações relacionadas a projetos ligados a empreendedorismo, inovação, popularização da ciência, educação em ciência e tecnologias aplicadas.

A decisão foi assinada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, o advogado-geral da União, André Luiz de Almeida Mendonça, e o procurador-geral da Fazenda Nacional, José Levi Mello do Amaral Junior. Também participaram da reunião os ministros da Secretaria-Geral da Presidência da República, Jorge Oliveira, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina e representantes dos ministérios da Economia e da Defesa.

Na última quarta-feira, o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, fez duras críticas ao Governo Bolsonaro. Na sua concepção, os cortes já realizados e previstos para a Educação em 2020, aliados a outros estrangulamentos orçamentários promovidos no setor, apontam para um projeto sistemático de desmonte do Ensino Superior público, da ciência, da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico no Brasil. Em coletiva de imprensa, Knobel lamentou ainda que a universidade pode perder 2.861 bolsas concedidas pelo CNPq. O reitor destacou, na ocasião, que o órgão notificou a universidade de que não tem recursos para sustentar as bolsas a partir do próximo mês.

O ministro Marcos Pontes disse nesta semana que as bolsas do CNPq referentes a setembro serão pagas devido a um remanejamento de orçamento que liberará os R$ 82 milhões (US$ 20 milhões) para atender 80 mil pesquisadores. A manobra resolveu o problema imediato, mas não há garantias para o resto do ano. Até dezembro, o ministério tem débitos de R$ 250 milhões (US$ 61 milhões) com os bolsistas. Pontes comentou que planejava obter o dinheiro com o fundo formado a partir de verbas recuperadas pela Operação Lava Jato, mas nenhuma definição foi confirmada ainda. A princípio, esses valores são para serem utilizados em projetos para 2020. Na emergência, ponderou, poderiam ter seu uso antecipado para ‘socorrer’ algumas demandas.

 

Aditivo

Em julho passado, o MCTIC assinou um termo aditivo em seu orçamento, no valor de R$ 75 milhões (US$ 18,3 milhões), para garantir a continuidade das obras do Sirius. Esses recursos asseguraram a sequência de alguns testes e a construção das estações experimentais conhecidas como “linhas de luz”. Em 2003, foi apresentada pela primeira vez a necessidade de iniciar os estudos sobre uma nova fonte de luz síncrotron. O início efetivo das obras das edificações, entretanto, ocorreu em 2015. Ao final daquele ano, quase 20% das obras civis estavam completas. A infraestrutura será a maior e mais complexa de pesquisa já construída no País.

Essa máquina funciona como um grande microscópio que, ao revelar a estrutura molecular, atômica e eletrônica dos mais diversos materiais, permite pesquisas em praticamente qualquer área do conhecimento, com potencial de resolver grandes problemas da atualidade. Somente até o fim de 2018, foram repassados R$ 1,12 bilhão (US$ 273,2 milhões), de um orçamento previsto em R$ 1,8 bilhão (US$ 439 milhões).



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