Três grupos avaliam propostas para assumir Viracopos

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Pelo menos três grupos privados estão interessados no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), apurou o Valor. A proposta mais avançada é de uma joint venture com base na Turquia formada para avaliar ativos de infraestrutura no Brasil – onde ainda não atua. Essa joint é composta por um pool de empresas, incluindo um operador europeu, uma de logística e um fundo de investimentos, e tem interesse, em princípio, na fatia da UTC no aeroporto. Mas não descarta uma oferta pela participação da Triunfo Participações e Investimentos (TPI) no ativo.

Juntas, UTC e TPI controlam 51% da concessão do aeroporto de Viracopos, os demais 49% são da Infraero. A joint venture trabalha para consolidar uma oferta firme. Já foi feita um pré due dilligence e definida uma due dilligence.

Há também um grupo de Cingapura interessado na fatia privada do aeroporto. E uma terceira proposta, apresentada informalmente aos credores da concessionária – BNDES, Banco do Brasil, Bradesco e Itaú. Essa proposta é liderada pela gestora de investimentos IG4 Capital e prevê uma mudança no controle e uma capitalização de US$ 100 milhões. O fundo americano Cerberus estaria no negócio junto com a IG4. Seria a mesma engenharia feita pela IG4 Capital, em parceria com bancos, quando adquiriu a empresa de saneamento CAB Ambiental, da Galvão.

UTC e TPI seriam diluídas e suas fatias convertidas em cotas dentro de um fundo a ser criado. Os direitos econômicos das cotas remanescentes das duas no fundo seriam transferidos aos credores. A IG4 traria a Schiphol, um dos melhores operadores mundiais, para gerir Viracopos. Espera-se que a Infraero participe do aumento de capital.

Qualquer um dos cenários seria uma reviravolta na decisão dos acionistas de Viracopos que, diante das dificuldades financeiras pelas quais passam e da frustração com as perspectivas do negócio, aprovaram em 2017 iniciar o processo de relicitação do aeroporto. O mecanismo está previsto na Lei 13.448 mas ainda precisa ser regulamentado por um decreto. A relicitação só se torna irreversível com a assinatura de um aditivo que depende da publicação do decreto.

Em recuperação judicial, a UTC mantém a fatia de Viracopos para venda em seu plano homologado pela Justiça. A TPI, que pediu recuperação extrajudicial, não descarta uma alternativa à relicitação. Em recente reunião com investidores e analistas, a empresa deixou claro que podem surgir “novos cenários” que a levem a desistir do processo de devolução o ativo.

O aeroporto foi eleito o melhor terminal aéreo do país na pesquisa de satisfação de passageiros feita pela Secretaria de Aviação Civil (SAC). “Viracopos é seguramente o ativo na área de logística mais importante do país. Provavelmente um dos mais importantes da América Latina. Tem sido muito bem administrado pela concessionária, tanto que foi eleito o segundo melhor aeroporto de carga do mundo”, disse um interessado.

Para os credores, incluindo o BNDES, o que chegou até agora, mas de forma extraoficial, foram três propostas. E nenhuma delas é considerada suficientemente boa. São elas a saída da UTC; a permanência da TPI, que estaria disposta a fazer um aumento de capital; e a entrada de um novo sócio, que seria a solução apresentada pela IG4.

A concessionária de Viracopos está adimplente com o banco, ao qual deve em torno de R$ 2 bilhões (US$ 625 milhões), entre contrato de financiamento e uma debênture da ordem de R$ 500 milhões (US$ 156,3 milhões) subscrita pela BNDESPar, seu braço de participações. No contrato de financiamento, a maior parte é exposição direta do banco, mas há ainda repasses via agentes financeiros, que assumem o risco da operação.



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